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BIOMECÂNICA DO CAVALEIRO - Parte 1

Atualizado: 7 de abr. de 2022



Biomecânica do cavaleiro: A chave para desbloquear o cavalo!


A biomecânica é o estudo do funcionamento do corpo em movimento usando princípios mecânicos. É altamente relevante para se montar porque aqui temos dois sistemas biomecânicos, cada um com sua própria maneira de funcionar, trabalhando juntos para influenciar um ao outro.

Para que a dinâmica da biomecânica seja correta os dois sistemas devem trabalhar em conjunto, não precisamos somente entender o cavalo, mas principalmente o cavaleiro, pois é o cavaleiro que muda a dinâmica de algo desequilibrado para uma entidade harmoniosa.


A IMPORTÂNCIA DE ENTENDER A BIOMECÂNICA DO CAVALEIRO


A biomecânica do cavalo permite a ele transportar bem um cavaleiro e, embora este conhecimento ainda não seja amplo como deveria ser para os cavaleiros, as informações a este respeito estão se tornando mais disponível para aqueles que a buscam.

Para a biomecânica do cavaleiro, no entanto, parece que dentro da pouca informação disponível, existem muitas opiniões opostas sobre o que é correto e muitos instrutores e treinadores de equitação optam por ignorar o papel do uso da ginástica do cavaleiro, preferindo concentrar-se somente no cavalo.

O problema é que a biomecânica correta do cavalo só é provocada pela biomecânica corretiva do cavaleiro e, para o cavaleiro conseguir isso é todo um processo de treinamento de ginástica, como é o de treinar um cavalo.

Isso ocorre porque sempre que um cavaleiro senta em um cavalo, seu corpo encontra forças poderosas geradas pela forma como o cavalo se move. Uma vez que o modo natural de mudança e equilíbrio do cavalo não é propício para transportar um cavaleiro em equilíbrio e com uma força postural ideal, o cavaleiro deve treinar seu corpo para poder encontrar essas forças desequilibradas geradas pelo movimento do cavalo e canalizá-las para algo diferente.

Assim como os cavalos não possuem naturalmente a força postural, a retidão e a flexibilidade das articulações para poderem transportar um cavaleiro em um engajamento consistente, o corpo humano não é naturalmente configurado para realizar as habilidades exigidas pela boa biomecânica e, a única maneira de se obter isso é através do engajamento dos posteriores do cavalo.


Por que tantos conselhos contraditórios sobre a biomecânica do cavaleiro?


Se você passou algum tempo lendo livros sobre adestramento ou bem montar, você provavelmente terá notado que, embora o ideal retratado sobre como o cavalo deveria se mover é geralmente o mesmo, quando se trata do poder que o cavaleiro exerce com seu próprio corpo para conseguir isso (a biomecânica do cavaleiro), existem muitas diferenças fundamentais de opinião, seja nos escritos dos "grandes mestres" ou dos especialistas modernos.

Por exemplo, muitas vezes é dito que o cavaleiro deve estar completamente relaxado, e ainda assim uma força vigorosa é aceita no mais alto nível de treinamento.

A maioria das escolas de adestramento enfatizam a importância da leveza das ajudas e, no entanto, e ainda assim uma força vigorosa é aceita no mais alto nível de treinamento.

E, dentro da posição do cavaleiro, existem consideráveis ​​diferenças de opinião quanto ao que está correto.


Por que tanto desacordo?


Uma grande parte disso é confundir o fim com os meios, isto é, não entender que para se tornar um bom cavaleiro é um processo. O que você consegue no final não é o mesmo que o tempo que demorou para chegar lá.

Por exemplo, quando olhamos para a graça sem esforço de um dançarino de balé, não vemos as infinitas horas de trabalho árduo acumulando força muscular, flexibilidade e memória muscular específica que levou para que o dançarino pudesse expressar tal facilidade no controle do seu corpo. O exemplo a seguir ilustra bem este ponto.


A síndrome da "toalha molhada"


Na equitação, há um ditado frequentemente citado em adestramento, onde as pernas do cavaleiro devem ser como pendurar toalhas molhadas nos lados dos cavalos. Muitos treinadores de equitação interpretam essa analogia, onde o cavaleiro deve relaxar completamente a perna, deixando-a pendurada, com estribos longos, para conseguir essa sensação da toalha molhada.

Na verdade, nada poderia estar mais longe da verdade. A verdadeira sensação dos lados do cavalo é o resultado de anos de esforço muscular para formar a perna do cavaleiro, pela junção das articulações, construção de certos grupos musculares e alongamento de outros , de modo que se torna fisicamente capaz de abraçar a caixa torácica do cavalo com facilidade. Portanto, a falta de esforço é o resultado do esforço que levou para chegar lá.


E, de fato, como qualquer disciplina atlética ou ginástica, a relativa facilidade de uma habilidade física deve sempre ser mantida (e sempre pode ser melhorada) por um nível contínuo de esforço relativo. Isto é especialmente verdadeiro para a posição correta da perna do cavaleiro, a qual é tão difícil de conseguir , como diz Charles de Kunffy: "os cavaleiros morrem ignorantes". No entanto, na minha própria experiência, o que começou com uma tarefa aparentemente impossível, de adquirir uma perna que permanece no lugar certo e ao mesmo tempo eficaz naquela posição, tornou-se uma realidade depois de anos de esforço (embora haja sempre espaço suficiente para melhoria!).

O cavaleiro, no entanto, que tenta alcançar a "toalha molhada", simplesmente relaxando a perna o máximo possível, com estribos excessivamente longos, acabará anos depois com uma perna que é rígida nas articulações e incorretamente posicionada assim como era no início, porque não houve um desenvolvimento de ginástica. A sensação de toalha molhada não será alcançada porque uma perna com articulações que não são flexíveis, e músculos que só são desenvolvidos para a locomoção humana, não são capazes de pendurar em torno dos lados de um cavalo.

Este é o paradoxo dos meios e do fim na equitação, que se aplica não só a muitos aspectos diferentes da posição e ajudas do cavaleiro, mas também ao processo de treinamento do cavalo.


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