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Como os cavalos aprendem?

Por Lindsay Grice, Comportamento e Psicologia do Cavalo


Pergunta: Eu sou um cavaleiro amador que faz a maior parte do tempo meu próprio treinamento, e o complemento com aulas e clínicas ocasionais. Embora as habilidades técnicas que aprendi com os profissionais tenham sido úteis, gostaria de saber mais sobre o quadro geral. Por exemplo, por que essas habilidades funcionam? Ouvi você falar sobre a importância de pensar como um cavalo ao montar, e espero que você possa me dar algumas dicas.


Resposta: R: Sem dúvida, saber a forma como os cavalos aprendem me ajudou a treinar com mais eficiência, eficácia e segurança. Como um detetive abordo os problemas fazendo a seguinte pergunta: "Por que isso pode estar acontecendo?" Procuro um entendimento em minhas experiências e analiso os fatos sobre comportamento equino para resolver o quebra-cabeça. Os problemas ocorrem quando tentamos encaixar o pino quadrado do pensamento do cavalo no buraco redondo do pensamento das pessoas. O antropomorfismo, ou atribuição de qualidades humanas aos nossos cavalos, pode nos causar problemas. Cavalos e humanos são conectados de maneira muito diferente. Treinadores eficazes entendem como os cavalos percebem o mundo, o que os motiva e como eles aprendem.

Seguem algumas coisas para se manter em mente...



1.Os cavalos são animais de rebanho e sociais


Os cavalos encontram conforto e segurança dentro do rebanho. O cavalo alfa, ou líder, é aquele que toma as decisões sobre quando procurar água, abrigo ou o momento do descanso, e os subordinados confiam e o seguem. Como treinadores de cavalos, os humanos devem ser os líderes. Nós tomamos as decisões, tais como, qual caminho vamos percorrer, onde e quanto tempo vamos ficar parados e o ritmo em que iremos nos mover. Isso exige muita energia e planejamento de nossa parte porque estejamos cientes disso ou não, a partir do momento em que tiramos o cavalo da baia, assumimos a liderança ou transferimos o status de tomada de decisão para o cavalo. Como tomador de decisão, precisamos ter um plano de aula para lidar com o cavalo nos corredores das cocheiras, levando-o ao pasto, montando no trabalho em pista.


O cavalo alfa confirma seu domínio por sua capacidade de usar linguagem corporal ameaçadora para fazer com que seus subordinados recuem. Nenhum cavalo tem permissão para entrar no espaço pessoal do líder sem ser convidado. A linguagem corporal é a principal forma de comunicação dos cavalos, e um bom cavaleiro fará o mesmo. Como exercício regular e durante todo o processo de treinamento, o condutor deve pedir ao cavalo que se afaste dele (seja para trás ou para o lado) e ceda à pressão aplicada em qualquer parte do corpo. Condutores que dão um passo para trás quando estão rodando o cavalo na guia, ou no corredor da cocheira, podem não estar cientes de que estão convidando o cavalo a entrar naquele vácuo de liderança e possivelmente avançar sobre eles. Esteja sempre ciente de que você está treinando. A inconsistência, como agradar a todo o momento e ser permissivo em uma ocasião, e em outra ocasião bater e sacudir o cavalo, o confundirá. Nada é mais desconcertante para um cavalo do que limites que mudam.


2.Os cavalos são presas, os humanos são predadores.


Animais que são presas precisam ser mais cautelosos do que os predadores para sobreviver. Quando percebem estímulos assustadores, fogem e não param para fazer perguntas. Essa reação de susto é o tempo de reação instantâneo que experimentamos como cavaleiros tentando permanecer na sela durante o mesmo. Como alfa, podemos treinar cavalos para confiar em nós na presença de algo assustador e anular a resposta de fugir. Através da repetição, podemos dessensibilizar os cavalos para objetos assustadores.



Os cavalos são animais de rebanho e encontram conforto e segurança dentro de um grupo.


Os cavaleiros costumam perder a paciência com o cavalo que se assusta com fantasmas imaginários, mas o cavalo, na verdade, percebe muito mais do que estamos cientes. Programados para estarem constantemente atentos ao perigo, os cavalos são mais rápidos para detectar estímulos do que os humanos. Eles têm um amplo campo de visão porque seus olhos estão situados nas laterais de suas cabeças, ao contrário dos humanos com visão binocular. Embora eles tenham uma visão limitada das coisas diretamente na frente, virando levemente a cabeça, eles podem ver a maior parte do que se esconde ao lado e atrás deles. Além disso, os cavalos podem ouvir uma gama mais ampla de sons do que os humanos e, com orelhas que giram como um radar, podem localizar a fonte desse som.


Se um cavalo está preso e não consegue encontrar uma maneira de fugir do que o está assustando, ele geralmente luta. Imagine um cavalo puxando para trás quando amarrado, ou tendo sua perna emaranhada em uma cerca. No treinamento, devemos sempre fornecer uma saída, ou uma porta aberta. Se, por exemplo, pedimos ao cavalo para se encurvar com nossa rédea interna, nossa rédea externa precisa ceder. A liberdade é uma recompensa. Nas palavras do conhecido treinador de cavalos Ray Hunt, "torne a coisa errada difícil e a coisa certa fácil".


O treinador deve evitar criar medo. Emoções e adrenalina não estimulam o aprendizado. O cavalo emocional está inclinado a fugir de situações assustadoras. No modo de medo, seus movimentos se tornam rápidos e não naturais, em vez de longos, suaves e calmos. O único benefício do treinamento de criar medo seria quando um cavalo exibiu um comportamento verdadeiramente agressivo, como atacar ou morder. O treinador deve afirmar sua liderança, seguido de uma recompensa instantânea quando o cavalo responde positivamente. É crucial que os cavaleiros estejam no controle de suas emoções e do momento e intensidade de suas deixas.


3.Os cavalos aprendem de forma diferente dos humanos.

Muitas vezes me perguntam se os humanos são mais espertos que os cavalos. Embora o cavalo tenha uma proporção entre o tamanho do cérebro e o tamanho do corpo muito menor do que a de um humano (o cérebro equino é do tamanho de uma grapefruit), isso é como comparar maçãs com laranjas. Essa comparação é menos sobre tamanho e mais sobre estrutura e motivação para aprender coisas novas.


Os cérebros dos cavalos são estruturados de forma diferente ao dos humanos e isso explica parte da frustração que podemos encontrar quando tentamos usar a lógica humana no treinamento. Os cientistas nos dizem que o neocórtex, o centro necessário para habilidades mentais superiores (ou seja, raciocínio, pensamento abstrato, lógica) é maior e mais desenvolvido no humano do que no cavalo. Essas são funções mentais cruciais para o predador que usa a estratégia para rastrear sua presa e prever seus movimentos.


Em contraste, o cérebro do cavalo é dedicado a tarefas relacionadas à sobrevivência, ou seja, sensibilidade física e locomoção. Como uma presa, o cavalo está pronto para correr logo após o nascimento, separando as informações que ele capta do ambiente com seus sentidos aguçados. Ele está motivado a pastar o dia todo e fugir do perigo. A resolução de problemas não é uma habilidade necessária, portanto, ele aprende através da experiência. Não podemos contar com um cavalo para raciocinar por meio de uma habilidade que estamos ensinando a ele, ou imaginar os resultados de realizá-la correta ou incorretamente. Ele aprende por tentativa e erro, o que exige a repetição paciente de nossa parte até que ele entenda o que está sendo pedido a ele.


Então, da próxima vez que você ficar tentado a antropomorfizar, lembre-se de que cavalos e humanos são conectados de maneira diferente e tente pensar como um cavalo! Foto do artigo principal: O cérebro de um cavalo é dedicado a tarefas relacionadas à sobrevivência. O cavalo não possui ou requer as habilidades mentais superiores de raciocínio, pensamento abstrato e lógica. Este artigo foi publicado originalmente na edição de outubro de 2011 do Canadian Horse Journal.



Lindsay Grice é coach, treinadora, oradora de comportamento equino e juíza, que preparou cavalos e cavaleiros para vitórias em grandes competições nos EUA e Canadá por mais de 20 anos. Iniciou sua carreira no circuito de Hunter A, e continua a competir ativamente em concursos tanto de modalidade Inglesa como Western, agora se especializando no circuito AQHA.


Lindsay ensina Comportamento Equino para o curso Horse Handler na Universidade de Guelph. Em suas clínicas populares, ela se baseia nos princípios da psicologia do esporte para preencher a lacuna de comunicação entre cavalos e cavaleiros e explica os “comos” e “porquês” do treinamento e competições. Lindsay é juíza da Equine Canadá e juíza especialista da AQHA, bem como certificada pela Equine Canadá e NCCP (coach multi eventos).


Quando questionada sobre o que ela ama em seu trabalho, Lindsay responde: “ Adoro colocar princípios complexos de equitação em uma linguagem que os cavaleiros possam entender. Como uma pessoa que já esteve em competições – esquecendo percursos, cometendo erros de treinamento, ter ouvido treinadores gritando – e ainda conseguiu chegar ao grupo de vencedores, eu compartinho com meus alunos as chaves que eu gostaria de ter conhecido. “ https://lindsaygriceridingcoach.com/

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