Como saber se o cavalo está bem casqueado e ferrado? Comece olhando a proporcionalidade e o alinhamento.
- Horse Guide
- 21 de mar. de 2024
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“O casqueamento é a base para o ferrageamento; e, no casqueamento, deve-se observar a saúde, a forma, a proporcionalidade e o alinhamento dos cascos. Já a ferradura não pode ser nem menor e nem maior do que o casco; ela deve cobrir o casco todo e ter, na região do talão, uma sobra de material de três milímetros”, explica Luiz Gustavo Tenório, médico veterinário e ferrador de cavalos há 34 anos. Tenório será o instrutor de dois cursos da Horse Guide sobre a importância dos casos, um voltado para profissionais e aprendizes e outro para amadores e veterinários.
Luiz Gustavo Tenório foi o ferrador responsável pelos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016. Entre outros títulos e funções, ele é consultor técnico do grupo Mustad desde 2000; instrutor da Universidade do Cavalo desde 2004; professor de pós-graduação na disciplina de podologia, desde 2010, nas instituições IBVet e Universidade Rebouças;consultor técnico da Empresa Berimbau Ferraduras desde 2017; e mestre em medicina veterinária em 2022 pela Universidade de Vassouras.
E como podemos saber se um cavalo está bem casqueado e ferrado? Tenório compara a ferradura aos nossos sapatos, que não devem estar nem largos e nem rigorosamente apertados. “Devemos observar sempre o equilíbrio do casco, seu tamanho, forma, proporcionalidade. A ferradura tem de cobrir o casco todo; não pode ser projetada para cima da ranilha, que vai pressionar, e, principalmente, a relação de espessura e largura da barra deve ser proporcional ao tamanho do casco”, explica ao Adestramento Brasil.
Indo além, ele lembra que o casco é um escudo de proteção do esqueleto e que deve estar com a parede lisa, sem marcas e com eixo preservado, com o formato da ferradura acompanhando o formato do casco.
Com relação aos cuidados com os cascos, a higiene é o primeiro deles, principalmente, se o animal está estabulado em baias. “O tipo de cama influencia na qualidade do casco e a nutrição — que é diferente de suplementação — também. Uma boa nutrição tem matéria seca, ração, e um volumoso de ótima qualidade. Além disso, manejo é palavra fundamental”, ressalta.
Outro ponto importante que os proprietários devem considerar é de respeitar o regime de casqueamento e ferrageamento. Tenório alerta ainda para o fato de que graxas, comumente usadas nos cascos, não funcionarem como hidratantes, mas, sim, isolantes.
Falando sobre a qualidade da mão-de-obra, Luiz Gustavo Tenório ressalta que “os ferradores brasileiros são, hoje, considerados pelo mercado internacional entre os três melhores ferradores profissionais do mundo”.
Ele assinalou que os ferradores que estejam empenhados na tarefa de aprender vão muito longe e se sobressaem pela qualidade. “E isso que nós não temos escola e nem profissão reconhecida. Ou seja, os profissionais brasileiros que queiram se dedicar se dedicam muito mais que qualquer outro profissional do cavalo. Ele tem conhecimento anatômico e biomecânico do cavalo, do casco do cavalo, que 99% dos veterinários desconhecem, porque as universidades não ensinam”, detalha.
Tenório ministrará em abril cursos da Horse Guide, nos quais serão ensinados temas como anatomia, fisiologia e biomecânica do casco, avaliação da conformação, nutrição e manejo do casco e tipos de casqueamentos e ferrageamentos.
O curso para profissionais e aprendizes ocorre nos dias 25 e 26 de abril na Quinta dos Mendes, em Itatiba, interior de São Paulo. Já a versão para amadores e veterinários será no dia 27 de abril no mesmo lugar. Mais informações clicando: profissionais e amadores.
*Conteúdo foi produzido por Adestramento Brasil com o patrocínio da Horse Guide.