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O Suor do Cavalo

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O suor do cavalo é um dos mecanismos de termorregulação da temperatura interna destes animais, ou seja, é o processo fisiológico que regula a temperatura corporal para mantê-la dentro do intervalo biológico ideal para o funcionamento do organismo. Este importante mecanismo de perda de calor é acionado quando há exposição do animal a temperaturas acima da sua zona termoneutra, ou quando submetido ao exercício, por exemplo. No entanto, vários fatores ambientais também influenciam na perda de calor por meio do suor, como a elevação da temperatura ambiente e a umidade relativa do ar. Desta forma, o cavalo que se exercita em temperaturas mais quentes, costuma transpirar bastante e o suor é fundamental para que ele regule a sua temperatura. Isso tudo acontece pelo fato de o cavalo ter uma musculatura bastante desenvolvida, gerando uma grande quantidade de calor interno que precisa ser dissipada, e no caso destes animais, esta dissipação ou perda de calor ocorre através do suor.


Poucas espécies de mamíferos suam e o cavalo é uma delas. O suor é produzido por glândulas sudoríparas, um grupamento de células conectadas a superfície da pele e que estão presentes em algumas partes do corpo destes animais, como por exemplo na barriga, costas e pescoço. Na transpiração o cavalo perde eletrólitos, sais minerais eletricamente carregados que desempenham um papel importante no equilíbrio da água e são essenciais para a função nervosa e muscular. Isso significa que o coração, os músculos, o sistema gastrointestinal e o cérebro são afetados pelo desequilíbrio eletrolítico. Os principais eletrólitos perdidos no suor do cavalo são sódio, potássio e cloreto. Supondo-se que um cavalo adulto de cerca de 500 Kg tenha uma superfície corporal de 4,5 a 5,0 m2, a taxa de transpiração correspondente seria de 6 a 15 litros de suor por hora. Desta forma, a taxa de transpiração por unidade de área da pele em cavalos, é de 2 a 3 vezes maior que as relatadas em seres humanos. Considerando que um cavalo médio normalmente bebe de 10 a 20 litros de água por dia, essa perda é bastante significativa.


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A perda excessiva de eletrólitos pode até ser vista e cheirada pois ela cria uma espécie de espuma, parecida com creme de barbear, com um cheiro doce proveniente da espuma do suor.  Assim o suor do cavalo é branco e espumoso e quando seca, é possível ver uma "areia" esbranquiçada em sua pelagem, que corresponde aos eletrólitos perdidos. O suor formando uma espuma é o resultado do atrito da pele do cavalo com algum material ou de locais do próprio corpo do cavalo onde exista o atrito, como entre as patas traseiras. Portanto, um cavalo com essa espuma não é indicativo de um cavalo sobrecarregado ou que está trabalhando além de seu preparo físico. A espuma em um cavalo suado resulta dos ingredientes desse suor – é uma adaptação bastante eficiente para o cavalo e significa apenas que essa espuma está fazendo o seu trabalho.


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Ela também pode ser encontrada na saliva onde ajuda o cavalo a mastigar e digerir o alimento seco. Acredita-se que a espuma se tornou parte do suor do cavalo para facilitar o resfriamento através da evaporação quando a pelagem está maior.


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O suor é produzido como um esforço para resfriar o corpo do cavalo. Quando a umidade está elevada, cria-se um ambiente onde o suor não tem para onde evaporar porque já existe muita umidade na atmosfera. Isso acontece quando a temperatura e a umidade relativa do ar estão elevadas. Por isso, sob calor extremo e alta umidade, os mecanismos de resfriamento do corpo podem não funcionar bem o suficiente para dissipar o calor. Ou seja, quando essas condições se unem, existe um grande potencial para problemas maiores se o seu cavalo estiver se exercitando, pois ainda continuará quente e consequentemente, ele ainda continuará suando. À medida que o cavalo perde líquido, seu corpo dirá “pare de perder líquidos” e seus vasos sanguíneos começarão a se contrair. Isso também não deixa que o calor saia do corpo do cavalo, e desta forma ele vai esquentar ao invés esfriar. Então, se ele continuar em atividade, será muito mais difícil regular sua temperatura, e por estar com calor e desidratado, ele precisará usar mais energia para fazer o que normalmente faria com pouca energia. Isso pode causar um estresse térmico, prejudicando a saúde e o desempenho dos cavalos.


Assim, como os cavalos perdem muito sal através do suor, essas concentrações no sangue podem diminuir fazendo com que os seus cérebros não recebam o sinal para se hidratar. O outro mecanismo que sinaliza a sede é a perda de volume sanguíneo, que pode atingir níveis perigosos, se o cavalo não recebe um sinal cerebral para beber água. De qualquer forma, o cavalo pode perder sal e água valiosos antes de receber o sinal para se hidratar. Então quando seu cavalo transpira, você tem duas coisas com que se preocupar – água e eletrólitos. Por isso, é muito importante que os cavalos tenham acesso à água e que recebam suplementação mineral para repor os minerais perdidos através do suor. Cabe ressaltar que, dependendo das condições nutricionais, ambientais e mesmo fisiológicas, a perda através do suor de um cavalo, pode resultar em até 10% do seu próprio peso em um único dia. Esse volume expressivo pode ser produzido por um cavalo durante a lida, treinamento ou competição, por exemplo.


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Desta forma, durante os períodos mais quentes do ano, como nas estações da primavera e do verão, precisamos nos certificar de que os cavalos não fiquem superaquecidos, permaneçam suficientemente hidratados e se sintam confortáveis. Algumas dicas importantes a serem observadas durante o calor são:


Manter o cavalo hidratado - é essencial fornecer água limpa e fresca em quantidade adequada, inclusive depois do treino. É totalmente seguro e até encorajado deixar seu cavalo se reabastecer depois de suar.


Evitar o estresse térmico - por prestar atenção às condições ambientais e exercitar o cavalo preferencialmente na sombra ou em horários mais frescos do dia. Fique atento a sinais como apatia, alteração na alimentação, excitação, desidratação e outros comportamentos anormais para evitar que seu cavalo entre em estresse térmico. Se o cavalo estiver solto em um piquete, certifique-se de que ele tenha acesso a algum tipo de sombra, e se estiver em cocheira, aumente a circulação de ar mantendo as portas abertas e utilizando ventiladores, evitando assim que ele permaneça suando.


Garantir o consumo adequado de eletrólitos – dependendo da intensidade de treinamento do cavalo, é essencial repor os eletrólitos perdidos pelo suor, seja através de uma alimentação nutricionalmente balanceada com sal mineral, seja por suplementação eletrolítica adicional. Neste último caso, a administração pode ser feita após transporte e exercícios intensos, utilizando preferencialmente marcas de eletrólitos sem açúcar.


Não deixar o suor secar no cavalo – especialmente naqueles animais que estiverem mais desconfortáveis com o calor. Após o exercício, uma boa ducha é essencial, resfriando-os aos poucos com água fria. É importante que se retire o suor de cavalos que trabalham para deixá-los confortáveis, além de manter a pelagem mais saudável e bonita.


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Lembre-se que você pode ajudar seu cavalo durante as estações mais quentes, permitindo que ele mantenha uma taxa de transpiração adequada e reduzindo a perda de líquidos pelo suor. Basta proporcionar cuidado, atenção e todo o carinho que ele merece!

 

Fontes:


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